Resenha | Novembro, 9

27.10.16

Livro novembro 9, 9 de novembro, nove de novembro, Colleen Hoover, Fallon, Ben
Autor (a): Colleen Hoover | Editora: Galera Record | Gênero: Romance, New Adult | Páginas: 349 | Skoob

 Antes de ler este livro eu vivia me perguntando o porque de tanta gente amar a Colleen Hoover. O porque de todos elogiarem tanto as suas obras. Agora, depois de ler Novembro, 9, eu sei exatamente porque ela é tão querida. A mulher é um gênio.

 Novembro, 9 nos apresenta a história de Fallon, uma jovem atriz de apenas 18 anos, que teve sua vida completamente virada de cabeça para baixo após sobreviver a um acidente incêndio que lhe causou graves ferimentos, deixando-a marcada com grandes cicatrizes por toda a extensão de seu corpo. Após o acidente, Fallon acabou perdendo seu papel como protagonista de uma série que, até então, vinha fazendo grande sucesso. Além de lhe arrancar o papel e todas as suas chances de seguir com a carreira sonhada, o acidente também tirou-lhe toda sua confiança, fazendo-a se esconder de tudo e de todos. 

 O livro começa quando, no dia 9 de novembro (dois anos após o acidente), Fallon sai para almoçar com seu pai, o grande culpado pelo que ocorreu. Em um determinado momento de grande discussão entre pai e filha, um jovem rapaz senta-se ao lado de Fallon fingindo ser seu namorado, para que assim seu pai pudesse parar de lhe ofender e lhe diminuir. Fallon acaba gostando do teatro apresentado pelo rapaz, e segue suas deixas até que enfim seu pai se cansa e decide ir embora.

 Após Fallon se ver livre de seu pai, ela volta suas atenções para aquele que a salvou de grandes ofenças, Ben, um, até então, desconhecido. Papo vai, papo vem, Fallon acaba se abrindo para Ben, contando-lhe sobre o acidente e como isso a afetou, enquanto ele lhe conta sobre um pouco da sua vida e seu grande sonho de ser um escritor. Ao final do dia, depois de muita conversa e diversão, Fallon decide contar-lhe que está de partida para Nova Iorque, o que acabará com qualquer chance que eles tenham de se verem novamente. Como Ben não desiste fácil, ele propõe algo completamente inacreditável: que eles se encontrem durante todos os anos até que Fallon complete 23 anos. Por que 23 anos? Porque é, segundo sua mãe, o tempo necessário para que nós nos encontremos, pois como a própria dizia, você jamais conseguirá se encontrar enquanto estiver perdida em outra pessoa, e isso era algo que Fallon não queria.

 Após toparem com essa ideia maluca onde, Ben escreverá a história dos dois contanto que se encontrem todos os 9 de novembro durante cinco anos, eles acabam por se separar. Porém só fisicamente, pois seus pensamentos nunca abandonaram um ao outro.
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 Para início de conversa, precisamos admitir que essa ideia de duas pessoas que se conhecem há apenas um dia, marcarem de se encontrarem todos 9 de novembro, durante 5 anos, é simplesmente genial maluco, porém genial. Foi exatamente essa premissa que me prendeu desde o início, a ideia de que eles se veriam somente um dia por ano e era isso que importava.

 Mas é preciso que vocês saibam que a história é muito mais do que isso. Uma coisa incrível sobre a Colleen é a maneira como suas histórias começam de maneira simples e terminam de uma maneira grandiosa. Esse é aquele tipo de livro que mesmo você prevendo mil possibilidades para o final da história, você ainda sim será surpreendido, pois aqui os plot twist são muito bem trabalhados e, acima de tudo, escondidos. Quando você se da conta da reviravolta é porque ela já aconteceu.

 Algo que me agradou demais neste livro foi o fato de que temos dois protagonistas incríveis. Uma coisa que me desagrada muito em livros narrados por duas ou mais pessoas é que, na maioria dos casos, sempre tem aquele personagem que você ama, e aquele que você odeia e que te deixa com vontade de pular as páginas para chegar logo ao capítulo narrado pelo seu favorito. Porém, felizmente, isto não é algo que encontramos em Novembro, 9, afinal de contas, chega a ser difícil se decidir entre a Fallon e o Ben, ambos são personagens extremamente reais, com defeitos e qualidades comuns e, acima de tudo, carismáticos. São aqueles personagens cujas piadas feitas você consegue se imaginar fazendo, e não aqueles que recitam poemas enormes sem ao menos consultar a internet. 

 Ah, e antes que eu me esqueça, tem algo muito legal de se ler nesse livro que são os elementos metalinguísticos. É muito bacana ver a autora se utilizando de um romance para fazer várias críticas aos próprios romances atuais, cheios de machismo, instalove (amor instantâneo que por sinal é rídiculo), entre outros. Conseguimos ver que, para criar essa história, a Colleen reuniu todos os clichês e elementos que, nós leitores não aguentamos mais, e os colocou de lado, usando-os em certos momentos como ferramentas de deboche. 

 Novembro, 9 acabou por se tornar não somente a melhor leitura que eu fiz no ano, como em todos os meus 16 anos. Eu sei que parece exagero e pode até ser mesmo, mas esse livro é definitivamente uma obra prima. É um exemplo a ser seguido pelos novos autores que pretendem escrever romances realistas. Colleen conseguiu não somente dar a seus leitores uma obra incrível, como dar-lhes um motivo para sorrir ou chorar durante todos os próximos 9 de novembro.

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