Digital Influencer não é profissão

8.6.18

Fotografia de Lisa Fotios
 Gostaria de iniciar este post dizendo que a nossa conversa de hoje será um pouco grande e, para algumas pessoas, algumas coisas serão difíceis de digerir (em um primeiro momento), porém lembro-lhes que este é um espaço para discussões saudáveis e estou aberto a todo tipo de opinião, desde que saibam expressá-la de maneira respeitosa e racional. 

 Há algum tempo atrás meu amigo Lucas Mendes iniciou em seu Instagram um breve debate muito interessante sobre o título de Digital Influencer e o quanto isto está afetando as pessoas que assim se denominam. Eu parei para refletir sobre o assunto por alguns minutos e logo chamei ele na DM para conversarmos sobre o tema. Eis que após uma longa conversa, nesta semana, quando tive o enorme prazer de conhecê-lo pessoalmente em um café super gostoso, o tema ressurgiu, e mais uma vez compartilhamos nossos pensamentos a respeito.

 A verdade é que Digital Influencer não é profissão. Antes de falarmos efetivamente dos porquês, é necessário compreendermos que existe uma enorme diferença entre Criador de conteúdo digital e Digital Influencer. Criar um conteúdo digital não é algo que acontece da noite para o dia, mas sim uma tarefa que requer todo um processo de pesquisa, estudo, criatividade, execução, análise, etc. Já Digital Influencer é um título dado para aqueles que, devido ao grande reconhecimento profissional que possuem, tornam-se influentes no meio em que estão inserido. Em outras palavras, Criador de conteúdo digital (assim como todas as outras profissões) é causa, e Digital Influencer é consequência.

 Entretanto, o que eu tenho visto ultimamente nas redes sociais (principalmente no Instagram) são pessoas utilizando o termo Digital Influencer como um título profissional, levando outras pessoas a acreditarem que influenciar pessoas pode ser uma profissão, ou pior ainda, a melhor profissão de todas. Não sei se vocês conseguem perceber o quão perigoso este pensamento pode ser, mas a questão é que ninguém deveria sentir-se orgulhoso por tomar como responsabilidade influenciar pessoas.

  Ah Gustavo, mas e aquelas pessoas que não são blogueiras nem youtubers mas que ganham dinheiro simplesmente pelo seu papel de Digital Influencer? Esta não é a profissão delas? Não, estas pessoas são criadoras de conteúdo, a única diferença é que elas não utilizam plataformas como blogs ou o YouTube para exercer suas atividades, porém elas continuam criando conteúdo para marcas que estão bancando campanhas publicitárias. Ademais, vale lembrar que muitas destas pessoas possuem uma vida normal quando as câmeras estão desligadas, elas têm trabalho fíxo, fazem faculdade, etc.

 Então você está dizendo que ninguém pode se denominar Digital Influencer, nem quando realmente é? Não, não é isto que eu estou dizendo, afinal de contas, cada um tem liberdade para se denominar daquilo que bem entender. O que eu estou questionando é até que ponto é saudável enxergar-se como uma pessoa influente? O quão grande seu ego está ficando por conta deste status que na maioria dos casos só traz prestígio no universo digital? Até que ponto é válido perpetuar a ideia de que é bacana influenciar as pessoas a adotarem comportamentos que você dita como "legal"? Isto não deveria caber somente a ela?

 Caso ainda não esteja claro, o que eu quero dizer com tudo isso é que precisamos parar de enxergar este título como um cargo profissional e, sobretudo, parar de colocar estas pessoas em um pedestal que simplesmente não existe. E sabe por que precisamos parar com estas atitudes? Porque ao reproduzi-las nós estamos nos colocando em uma posição de inferioridade que, em alguns casos, contribuem para uma baixa autoestima; além de estarmos contribuindo para o aumento do ego destas pessoas, que podem sofrer um impacto negativo ao perceberem o que este título realmente significa para elas.

 Sendo assim, acredito que é muito importante refletirmos sobre este tema com calma, não só aqueles que utilizam-se do título Digital Influencer, mas também nós, que os acompanhamos em suas redes sociais.

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1 comentários

  1. Argumentos maravilhosos, Gustavo. Pegou nos pontos fundamentais! Essa consciência do quão é árduo produzir conteúdos profundos em diferentes plataformas é algo que está em falta. É preciso lembrar que muitos blogueiros não são de moda ou não SÓ disso. É preciso lembrar que PARA SER digital influencer, existe algum trabalho de produção, carisma e cautela, em uma união de marketing por trás. É preciso levar em conta cada pedacinho de tudo o que você disse para que possamos valorizar mais os trabalhos daqueles que trabalham e entender esse termo apenas como uma consequência.

    semquases.com

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