caos

O paulistano passou a viver de salário após salário?

 Estou sentado do lado de dentro de um dos Starbucks da Avenida Paulista, e durante todo este tempo em que estou aqui (já faz mais de duas horas), quando olho pela janela, vejo água caindo do alto do prédio. Como não estou na rua para olhar para cima e ver da onde esta água vem, não posso dizer exatamente para o que ela está sendo utilizada. Pode ser que alguém esteja utilizando-a para alguma atividade realmente necessária, mas e caso não esteja? Meu medo é sair na rua e, ao olhar para cima, ver que tem água jorrando por algum motivo banal.

 É assustador como em São Paulo as pessoas estão em um ritmo tão frenético que as vezes elas não percebem uma calamidade acontecendo bem debaixo de seus narizes, como por exemplo quando existe um vazamento de água enorme no meio da rua e todo mundo passa por ali como se nada estivesse acontecendo, como se o que tivesse sendo desperdiçado não fosse o recurso natural mais importante para a nossa existência. É claro que não posso apontar o dedo na cara da sociedade e falar o quanto estamos sendo hipócritas, afinal de contas, eu também estou, pois apesar de notar o vazamento eu também não tomo nenhuma atitude para detê-lo. Entretanto, minha crítica não se direciona às pessoas e aos seus valores, mas sim a forma como a cidade nos consome e nos faz viver em uma velocidade extremamente acelerada e frenética.

 Acredito que todos aqui saibam o quanto eu amo São Paulo e o quanto eu me identifico com a cidade e com tudo o que ela oferece. Porém não posso fechar meus olhos para os problemas que aqui existem. Recentemente, em uma conversa com uma das minhas professoras favoritas, a mesma estava me contando sobre sua experiência quando passou um semestre de sua vida em Porto Alegre e como lá as coisas são tão diferentes de São Paulo. Ela estava me dizendo que nos primeiros dias estranhou muito o estilo de vida das pessoas, pois era como se todos estivessem em um ritmo extremamente lento. Porém, com o passar do tempo ela chegou a conclusão de que na verdade não eram as pessoas que estava em um ritmo muito lento, mas sim ela que estava em um ritmo acelerado, característica que ela adquiriu vivendo em São Paulo. Foi só então que eu parei para pensar como nosso estilo de vida em São Paulo é caótico. Estamos sempre seguindo a mesma rotina, saindo da faculdade correndo para chegar no serviço à tempo, correndo atrás do ônibus porque não podemos esperar pelo próximo. Fazendo exatamente as mesmas coisas, até que chegue sexta-feira à noite e a gente saia com os amigos, gastando metade do nosso salário em uma única noite, tudo isso para deixarmos de lado os estresses da rotina semana.

 Pararam para perceber o quanto isso é louco? É como se fossemos máquinas durante a semana e só tivéssemos tempo para nós mesmos aos sábados e domingos. Não sei vocês, mas eu não acredito que isto seja saudável para ninguém, pois acaba se tornando um ciclo vicioso, onde vivemos de salário após salário, sendo infelizes durante a semana e, aos fins de semana, gastando dinheiro com coisas inúteis que nos dão as falsas sensações de liberdade e felicidade, sensações estas que se vão junto com  a noite de domingo.
Amor

Você chegou na hora certa

 Confesso que eu já estava perdendo as esperanças. Você apareceu de repente e inicialmente eu acreditei que assim como todos os outros, você também estivesse de passagem por essa estrada desnivelada que é a minha vida. Mas pelo visto eu estava enganado, pois você chegou mostrando que veio para ficar e para deixar a sua marca.

 É engraçado a forma como você mexe com os meus sentimentos. Pela primeira vez eu sabia qual era a intensidade dos meus sentimentos mas não sabia exatamente o que eu estava sentindo. E a pergunta que não saia da minha cabeça era "será que isso é amor?". No começo eu me neguei a acreditar, afinal de contas, eu já amei outras vezes, e em nenhuma delas o sentimento foi tão... peculiar quanto desta vez, e este é o real motivo por eu ter ficado na dúvida, porque até você chegar eu só tinha conhecido um lado do amor, o lado carnal, o lado que mais tinha a ver com paixão do que com o amor propriamente dito.

 Sabe a primeira vez que a gente se viu? Meu primeiro pensamento foi "nossa, como ele é magro", e eu de fato falei isto para você. Mas com o decorrer da conversa eu fui vendo que tínhamos mais em comum do que eu esperava. Mas posso ser sincero? Eu só me apaixonei de verdade quando a gente saiu pela segunda vez. Foi naquele dia que eu te conheci de verdade, foi em meio à risadas, danças e choros que eu descobri que você era (e ainda é) a pessoa com quem eu quero estar daqui em diante.

 Estou pensando em como eu sempre coloco muita expectativa em um relacionamento, e em menos de um mês ele termina. Mas quer saber? Dane-se. Não me importa se ficaremos juntos por uma semana, por um mês, por um ano ou por uma vida inteira; o que realmente importa é que enquanto eu estiver do seu lado eu serei uma das pessoas mais felizes do mundo, e eu farei o possível para que você também seja uma delas.

 Hoje é seu aniversário de 18 anos, e eu acredito que esta seja uma das datas mais especiais para todo mundo, e eu também quero que seja uma data muito especial para você. Hoje se inicia uma nova fase da sua vida, uma fase que definirá muitas coisas e da qual eu espero fazer parte, para te ajudar a enfrentar os obstáculos e também aproveitar os bons momentos. Eu sei que não somos perfeitos, e que apesar de muitas coisas em comum, também temos muitas coisas contrárias, portanto, é inevitável que desentendimentos surgirão, mas eu espero que sejamos maduros o suficiente para passarmos por eles sem que isso influencie nossos sentimentos um pelo outro. Por você eu estou disposto a tentar fazer com que tudo isso dê certo e dure por muito tempo, e você, está disposto?

 Feliz aniversário meu anjo, eu __ ___.
conversa

Vale a pena toda essa obsessão pelo feed perfeito?

 Ultimamente algo vêm me irritando muito dentro das redes sociais, que é essa obsessão maluca pelo feed perfeito do Instagram. E quando eu digo que está me irritando dentro das redes sociais, é justamente porque toda essa doideira não está mais presente somente no Instagram, mas sim em todas as demais mídias sociais.

 Eu não sei muito bem da onde tudo isso surgiu, mas já têm algum tempo que as pessoas fixaram em suas mentes que elas só terão um feed bonito e reconhecido se elas seguirem um certo padrão, seja ele de edição, de cores ou até mesmo de fotografia. Porém, ao meu ver, tudo isso chegou a um nível que já não é mais saudável,

 Parece que em todo lugar que eu entro dentro da internet tem sempre alguém falando sobre como ter o feed perfeito do Instagram, e ultimamente a pergunta que eu tenho me feito é: o que é um feed perfeito? Ou até mesmo se existe um feed perfeito. Foi a partir destes questionamentos que eu parei para analisar e descobri onde as pessoas estão errando: elas estão se esquecendo de que o feed é uma consequência da fotografia, que é o essencial para manter tudo funcionando.

 Chega a ser engraçado, pois nesses posts as pessoas estão sempre dizendo "tire fotos de flores e intercale com selfies", "tire fotos de livros cujo a capa tenha a cor do seu feed", mas e quanto à fotografia em si? Tudo bem que duas fotos de flores e uma selfie no meio vai ficar agradável ao olhar quando você estiver visualizando o feed, mas e quando você abre a foto? Será que é uma foto realmente agradável? Ou melhor, será que é uma foto que você realmente gostou de tirar? 

 Eu cheguei a conclusão de que toda essa obsessão pelo feed organizado e perfeito está banalizando o que realmente importa, que é o olhar fotográfico das pessoas, afinal de contas, ao ver meu o Instagram foi criado para isto, para que as pessoas possam compartilhar seus momentos através de seus olhares fotográficos, algo que é sempre muito particular mas que está sendo perdido devido a este padrão de fotografia que está sendo implantado pelos usuários.

 Ah, e eu não digo tudo isso querendo ser o intelectual, OK? Afinal de contas, eu sigo um padrão no meu feed. Mas cá entre nós? Isto já está começando a me deixar bastante frustrado, pois eu nunca consigo compartilhar em tempo real uma fotografia, entende? Eu tiro uma foto mas acabo não postando porque já têm fotos "na frente" para serem postadas. Consegue compreender o quanto isto está nos impedindo de compartilhar aquilo que a gente quer na hora que a gente quer? É por este motivo que eu estou disposto a utilizar o Instagram de uma forma um pouco diferente daqui em diante, pretendo compartilhar meus ensaios junto com fotos do cotidiano, junto com fotos de livros, junto com selfies, junto com montagens... enfim, pretendo fazer do meu feed o reflexo do que eu sou, uma pessoa completamente desorganizada e imperfeita.
Ensaio

Rolê pela Oscar Freire + Look vintage maravilhoso

 Não sei vocês, mas se tem algo que eu amo fazer é andar por São Paulo sem rumo algum, só fazendo algumas fotos. Sendo assim, não é difícil de imaginar que eu não iria recusar o convite da Layla de ir com ela e uma amiga à rua Oscar Freire, uma das ruas mais famosas de São Paulo e que tem ótimos locais para fazer alguns cliques.



 Eu nunca havia ido na Oscar Freire antes, mas se tem uma coisa que eu posso dizer logo de cara é que é uma rua extremamente burguesa, algo que de certo modo me irritou um pouco. Porém, é também uma rua muito bonita e organizada; sem comentar que é um ambiente que nos permite fazer fotos urbanas com vários prédios de plano de fundo, ou até mesmo fotos mais simples e com o as nossas queridas plantinhas.

 E como se não bastasse as fotos incríveis, esse passeio ainda me rendeu uma amizade maravilhosa, que é a poderosíssima Giovanna Moreira, uma pessoa super divertida, carismática, e que tem um dos corpos mais bonitos que eu já vi ao vivo, haha.





 Agora deixa eu falar um pouquinho sobre esse look maravilhoso que eu usei pela primeira vez mas que com toda certeza se tornará um dos meus looks mais usados nos próximos tempos. Começando pela peça superior, eu comprei essa blusa no Brechó Desencanto, um brechó incrível onde as peças já são pré-selecionadas, o que te permite evitar passar horas garimpando em meio à montanhas de roupas, caso você não tenha muita paciência.

 A calça eu comprei em uma loja do Brás da qual eu não me recordo o nome. Já o cinto foi comprado na Textil Abril, uma loja enorme que fica ali na região da Brás (e vocês irão me ver com este cinto a todo momento a partir de agora, pois eu paguei por ele um valor bem mais alto do que eu pretendia).


 Se você nunca foi para a Oscar Freire mas tem interesse, eu recomendo que faça o caminho que eu fiz, que foi descer na Estação Sumaré (linha verde) e sair diretamente no comecinho da rua, o que te possibilita andar ela toda e fazer diversas fotos.

 Todas essas fotos foram feitas e editadas pela Layla Fernanda, e vocês podem conhecer mais do trabalho dela clicando aqui. Se algum de vocês tiveram interesse pelo trabalho dela, e ficaram com vontade de ter um ensaio lindão desses, é só entrar em contato com ela através da DM do Instagram e solicitar um orçamento. Lembrando que ela só atende em São Paulo.

 Me contem aqui nos comentários o que vocês acharam das fotos, do look, e compartilhe com os demais leitores lugares bacanas para fotografar na cidade onde você mora.
Fast Fashion

Adeus fast fashion

 Vocês sabem o que é fast ou slow fashion? Pois é, eu também não sabia até alguns dias atrás, quando a linda da Liz Chollet postou uma foto maravilhosa no Instagram onde ela falava sobre parar de consumir fast fashion, e ainda me introduziu ao que é chamado de roupateca, um lugar onde você pode alugar roupas por um determinado tempo e depois devolver para que outras pessoas também usem. Genial, não? Foi a partir desse post e de uma conversa sobre moda sustentável, que eu tomei a iniciativa de pesquisar sobre como funciona a produção de moda atualmente, e é justamente dessa produção que surgem os termos fast fashion e slow fashion.

 Fast fashion significa Moda rápida, e é toda a moda produzida e consumida em massa. Então todas essas marcas grandes que estão atualizando seus catálogos semanalmente, como a Renner, C&A, Marisa, Riachuello, etc, são marcas que se utilizam deste estilo de produção.

 Já Slow fashion significa Moda lenta e é um movimento sustentável que contrapõe o Fast fashion, se preocupando com a conscientização da população para que todos percebam como a produção em massa de tanta roupa prejudica o  meio ambiente, afinal de contas, estamos nos apropriando de recursos naturais finitos e que devem ser usados com sabedoria. Além do mais, para produzir peças em grandes quantidades, muitas marcas se utilizam de mão de obra barata, e em alguns casos até mesmo escrava.

 Ta Gustavo, mas que diferença faz eu consumir slow fashion enquanto todo o resto do mundo continua consumindo fast fashion? Primeiramente, você tem o alívio de saber que não contribui para isto, sem comentar que, a partir do momento em que você decide agir de maneira diferente, as pessoas notam isto e começam a se questionar, e isso pode ser uma grande oportunidade para levar o movimento à frente.

 Ok, agora que nós sabemos o que é fast fashion, slow fashion, e qual a diferença entre ambas, a pergunta que não quer calar é: quem não compra em marca fast fashion compra onde? Bom, isso é o que eu também estou descobrindo a cada dia que se passa, mas por hora eu posso dizer algumas alternativas para vocês, sendo a primeira dela os brechós. Eu não sei vocês, mas eu sou completamente apaixonado por brechós (mesmo nunca tendo comprado nada em um o que está por mudar), e isso facilita muito a vida de quem quer aderir ao movimento Slow fashion. Para quem não conhece nenhum brechó próximo de onde mora, também é possível comprar através da internet, onde para nossa alegria existe diversos brechós com peças de todos os estilos e tamanho, é só dar uma pesquisada (principalmente pelo Instagram).

 Outra alternativa são os bazares de igreja, onde as pessoas vendem de tudo, inclusive roupas. Muita gente ainda prefere o bazar ao brechó, pois como é um método de arrecadar fundos para a igreja e acontece na igreja, eles não cobram muito caro pelas peças (conheço gente que comprou peças de grife semi-novas por R$5,00 em um bazar de igreja).

 E é claro que além de brechós e bazares, vocês também podem comprar roupas diretamente com lojas slow fashion. Infelizmente eu ainda não conheço muito para indicar para vocês, mas vocês podem procurar por elas ai na internet (pesquisem por roupas veganas que vocês irão encontrar rapidinho). E sim gente, eu sei que as roupas em lojas slow fashion são bem mais caras do que o comum, mas vale sempre lembrar de que a qualidade é muito melhor do que uma roupa de fast fashion, e também que o processo todo pelo qual aquela pecinha passou não causou o impacto ambiental que a sua blusinha de R$19,99 da Marisa causou.

Bom, agora que já tivemos acesso a esse tantão de informação nova, está na hora de parar e pensar o que vocês irão fazer com ela. Eu acabei de fazer uma promessa de que eu ficarei até o fim do ano sem comprar qualquer peça de fast fashion, o que será um grande desafio para mim mas que eu darei o meu melhor para conseguir. Ao longo desse processo eu volto aqui para atualizar vocês e também, é claro, mostrar cada pecinha nova que eu adquirir durante este período.